Brasil

02/12/2018 às 19h43

Fake Delta

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Arcádio Vieira, criador do teorema político “diferencial delta”, bem que se esforçou para eleger Moreira Franco, governador do Rio de Janeiro, em 1982, pretendendo furtar vitória certa de Brizola.

 

Era candidato pelo PDS, da ditadura. Como diretor do Proconsult, empresa paulista de processamento de dados, contratada pelo TRE/RJ para computar a votação fluminense, tentou desenvolver teoria, segundo a qual os sufrágios em brancos e nulos retirariam do candidato das oposições, possibilidades de êxito.

 

Buscaria, de qualquer forma, o aumento desse volume. Apostaram na fragilidade de conhecimentos do eleitor interiorano, quanto à novidade da vinculação do voto.

 

Usaram sofisticados métodos de fraude, um deles utilização da caneta-tinta, à disposição nas mesas receptoras, que quando se imprimisse um “x” na quadrícula da cédula única o tornaria em branco.

 

A manipulação dos mapas consistia na alteração dos registros, retardando-se, de propósito, sua publicação, dando sensação de vantagem, além de adequar a uma projeção de 70 mil votos favoráveis a Franco.

 

Delta, 4ª letra grega, refere-se à soma, totalidade; na matemática simboliza diferencial entre dois valores.

 

A combinação SNI/Globo/Proconsult, de longe acompanhada pela Justiça Eleitoral, foi denunciada à imprensa estrangeira por Brizola e Saturnino Braga, no Senado, com veemência. Auditorias reverteram a situação, ao braço direito de Temer, conhecido por gato angorá, aplicado o merecido castigo da derrota.

 

O suborno se repetiu nas eleições de 2018, embora com outras ferramentas.

 

O ator principal, dessa nova cena, foi o próprio complexo judiciário.

 

Claro, conectado com a mídia reacionária, políticos, entes empresariais e ampla rede social. Desta feita com sucesso.

 

Objetivaram levar à Presidência da República alguém que não saísse do povo.

 

Desde a prisão de Lula, a politiquização da justiça foi implacável no retorno dos princípios de Vieira, ora sob a denominação de “fake news” (notícias falsas), chancelando o triunfo de seus simpatizantes.

 

As urnas eletrônicas dificultam o falseamento de dados, por isso lhes antecedeu uma série de escândalos, que o TSE evita de exemplarmente apurá-los.

 

À luz dos números, houve visível distorção na proclamação dos eleitos.

 

O total de eleitores cadastrados, recomendados pela Constituição: 150,9 milhões, mas 3,6 mi não foram permitidos votar; 31,3 mi se abstiveram; 2,4 mi, em branco e 8,6 mi nulos. Este, o perfil do eleitorado do centro.

 

Se somados aos atribuídos a Haddad, beira a acima de 50% dos que não votaram em Bolsonaro.

 

Pelos cálculos de Arcádio, JB foi vitorioso por uma minoria dentro da maioria das intenções brasileiras, baseado no casuísmo da lei, assim, a rigor, não as representa.

 

Por Inocêncio Nóbrega, Jornalista

 

Email: inocnf@gmail.com

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