A advocacia previdenciária paraibana esteve no centro de uma ampla discussão sobre os novos desafios e as transformações que estão impactando a atuação profissional.
Durante os dias 6 e 7 do corrente mês, foi realizado, em João Pessoa, o II Congresso de Direito Previdenciário da OAB/PB, reunindo especialistas para dois dias de palestras, debates, conteúdo prático e troca de experiências.

Promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Paraíba (OAB/PB), por meio da Comissão de Direito Previdenciário, com participação da ESA/PB e da CAAPB, o congresso apresentou uma programação eclética, contemplando temas atuais e questões que fazem parte da rotina de quem atua na área previdenciária.
Entre os assuntos que mais chamaram atenção esteve a Inteligência Artificial aplicada à advocacia, que apareceu em diferentes momentos da programação e ocupou espaço relevante nos debates sobre o futuro da profissão.

Na abertura do evento, na quinta-feira, o presidente da OAB/PB, Harrison Targino, conduziu a palestra “Os limites éticos no uso da Inteligência Artificial na Advocacia”.
A discussão abordou justamente um dos pontos mais sensíveis da incorporação das novas tecnologias ao exercício profissional: como utilizar as ferramentas de IA para ganhar eficiência sem abrir mão da ética, da responsabilidade e das prerrogativas da advocacia.

A temática voltou à programação na sexta-feira, com a palestra “Inteligência Artificial aplicada à Advocacia Previdenciária: ferramentas, automação e estratégias para a prática profissional”, apresentada por Sabrina Proença.
O enfoque, desta vez, esteve na utilização prática da tecnologia dentro da advocacia previdenciarista, incluindo ferramentas, automação e estratégias capazes de auxiliar o profissional no dia a dia.

A presença da IA em duas palestras distintas mostrou que a tecnologia deixou de ser uma discussão meramente futurista e passou a fazer parte da realidade dos escritórios.
No Direito Previdenciário, área marcada pelo grande volume de informações, documentos, processos administrativos e judiciais, a utilização responsável dessas ferramentas tende a provocar mudanças significativas na rotina profissional.

Temas que estão no cotidiano da advocacia
Além da Inteligência Artificial, o congresso levou aos participantes discussões diretamente relacionadas aos principais desafios enfrentados atualmente pelos advogados previdenciaristas.
Entre elas esteve a palestra “O que você não sabe sobre os benefícios previdenciários”, com Marcus Vinicius, abordando aspectos relevantes relacionados ao acesso e à concessão dos benefícios.

Também ganhou espaço a “Contagem Recíproca e Averbação de Tempo de Contribuição: desafios e soluções na prática previdenciária”, apresentada por Ênio Nascimento, tema de grande importância para profissionais que trabalham com planejamento e reconhecimento de períodos contributivos.

Outro assunto de destaque foi “As provas rurais no INSS e o preenchimento correto da autodeclaração”, com Euclides Ramalho, levando ao debate questões práticas envolvendo a comprovação da atividade rural perante a Previdência Social.
A programação também contemplou “Boas práticas no Processo Administrativo do INSS: teoria e estudos de casos”, com Pedro Azeredo, além de “O Planejamento Previdenciário para o advogado”, com Ivan Kertzman.
Na sexta-feira à tarde, os participantes ainda acompanharam discussões sobre saúde mental no trabalho e os novos desafios previdenciários das empresas, controladoria como pilar central de um escritório lucrativo, recurso administrativo e suas vantagens, além de uma abordagem específica sobre BPC/LOAS em 2026, com atualizações práticas e estudos de casos concretos.

Dois dias de atualização
O II Congresso de Direito Previdenciário da OAB/PB encerrou sua programação destacando justamente os três pilares que marcaram o encontro: conhecimento, prática e networking.
A variedade dos temas demonstrou que a advocacia previdenciária atravessa um momento de profundas transformações.
De um lado, permanecem desafios tradicionais, como a comprovação do tempo de contribuição, benefícios por incapacidade, atividade rural e processos administrativos.

De outro, surgem novas demandas relacionadas à gestão dos escritórios, automação e utilização da Inteligência Artificial.
Ao colocar esses assuntos lado a lado durante dois dias, o congresso ofereceu aos profissionais uma visão ampla sobre os caminhos que a advocacia previdenciarista vem tomando e sobre a necessidade de atualização permanente diante das mudanças tecnológicas, legislativas e administrativas que afetam o setor.