O relatório da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro não permite condenar ninguém por antecipação. Mas também não permite fazer de conta que nada aconteceu.
As mensagens revelam uma relação próxima entre Vorcaro e pessoas do entorno do ministro Alexandre de Moraes. O relatório registra inclusive comunicação direta com o contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, além de tratativas sobre eventos em Londres, convites, participantes e encontros.
Há ainda um ponto que chama atenção: a PF identificou uma minuta de contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane de Moraes cuja última modificação aparece nos metadados atribuída ao usuário “Ministro Alexandre de Moraes”.
O contrato previa R$ 3 milhões mensais.
E tem mais.
O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece em mensagens encaminhadas a Vorcaro por Ciro Soares.
Em uma delas, Ciro afirma ter falado com Gonet sobre a retirada de uma candidatura.
Em outra, diz que Gonet iria a Londres e pergunta se o filho poderia acompanhá-los.
A PF, entretanto, não encontrou Gonet como contato direto no celular de Vorcaro.
É muita coisa para simplesmente passar pano.
Por isso, a decisão de André Mendonça de levantar o sigilo foi, na minha leitura, a providência mais saudável para a República.
O ministro sustentou que, diante do interesse público, os novos elementos devem ser examinados de forma pública e transparente pelo Plenário do STF.
Agora é hora de separar torcida de verdade.
Se não há irregularidade, que se explique. Se há apenas coincidências, que sejam esclarecidas.
Se há algo mais grave, que se investigue até o fim.
O que não pode é o brasileiro ficar com aquela velha sensação de que, em Brasília, para os poderosos sempre existe uma porta lateral.
E, dessa vez, ao menos, Mendonça resolveu abrir a porta da frente.