Soledade, a princesa do Cariri, está comemorando nesse dia 24 de setembro de 2016, 141 anos de emancipação política.
Uma fazenda que deu origem a um povoado através da construção de uma capela e um cemitério, núcleos sociais que atraíram moradores e deram origem a um povoado, logo elevado a distrito de São João do Cariri.
Habitado por membros de oligarquias influentes, tais como Gouveia, Nóbrega e Castor, não demorou para que o distrito conquistasse a emancipação política de São João do Cariri e fosse alçado ao status de Vila.
A estrada de rodagem inaugurada em 1918 mudou pra sempre o destino daquela que nasceu pra ser Solidão. Três ruas e um Largo, foram, até a década de 1940, a composição da geografia urbana soledadense.
A chegada do trem em 1956, a exibição de cinema, o advento do rádio e da televisão ditaram novos ritmos entre os jovens das classes média e alta, e fizeram reluzir em Soledade o dourado daqueles anos.
A estação ferroviária, a praça do Pirulito, o Parque infantil Dr. Antônio Coutinho e alguns imóveis da Rua Prefeito Inácio Claudino, foram e são resquícios desse período.
O trabalhador rural outrora explorado e quase propriedade dos grandes proprietários de terras, hoje faz Soledade ser uma das maiores bacias leiteiras da região.
A bovinocultura, a caprinocultura, a produção de frangos para corte e a produção de ovos movimentam milhões de reais todos os meses e gera emprego no município.
A BR 230 inaugurada em agosto de 1968 consolidou o potencial inato de Soledade para o comércio.
A cidade que nasceu do Caruá floresceu e hoje usufruímos de grandes frutos.
Foi através das lutas diárias de seu povo que Soledade cresceu e como bem anunciou a Irmã Ana de Nazaré no hino dedicado a Soledade: “a cultura guia teus passos”, os soledadenses não se fizeram de rogados e mostraram que era verdadeira a afirmação daquela religiosa da Ordem de Fátima e não pouparam esforços para produzir poesia, basta lembrar de Chico Papeiro, Geraldo Cordeiro, Lázaro Avelino, Zeca Cordeiro e Geraldo Guedes.
Atuaram e atuam através do teatro, que foi encabeçado por Nellie Nóbrega, com os seus Pastoris, Sandro Rogério, Tertulina Gomes, Tano Firmino e tantos outros; a Sétima Arte protagonizada por Ivanildo Gomes (O fazedor de filmes), Geraldo Guedes, Silvestre Cantalice; a produção de conteúdo digital por Elias Rodrigues e Keila Rodrigues; o forró da Banda Remelexo e do Bixo Bom; a arte de madeira da família Ismael, assim como os famosos queijos de coalho, feitos artesanalmente, são alguns dos patrimônios culturais construídos ao longo do tempo e que firmam a identidade soledadense.
Foi no intuito de não permitir que essas e tantas outras histórias de sua gente fosse esquecida, que o Historiador e Professor José Tiago Marinho dedicou 18 anos de sua vida em pesquisas, anotações e escrita de um livro, o qual ele intitulou de Sentinela do Cariri: histórias de Soledade e de sua gente.
Um livro que narra a construção de uma cidade, que lembra de seus mais diversos construtores e que é uma ode a aniversariante do mês: Soledade, a princesa do Cariri.
O lançamento do livro Sentinela do Cariri ocorreu na última sexta-feira (18/09) no auditório do IDE Projetos Sociais e contou com apresentações de artistas locais como Antônio Dantas e Banda, Alexandre Nery, Marcelo Araújo, Luh Barreto e Maestro Flavinho (relembrando músicas da Banda Remelexo) e do jovem interprete Lucas Garcia, que emocionou o público presente com a música Anjo de autoria do soledadense Zeca Cordeiro (in memoriam).
Sentinela do Cariri: histórias de Soledade e de sua gente é um livro que é o maior presente que a aniversariante do mês poderia ganhar: a preservação de parte de sua História.
“Poder publicar esse livro é para mim motivo de muita alegria e de orgulho, pois sou historiador e professor soledadense, nascido e criado nessa terra querida e amada, onde meus ancestrais ajudaram a erguer pedras e a construir algumas das muitas histórias. Sou tomado de muitos bons sentimentos porque cumpro aqui o que eu chamava de missão: deixar registrado em um livro memórias e histórias de muitos dos braços que ajudaram a erguer nosso município”, disse José Tiago Marinho Pereira.










