Em Assunção, a eleição deste domingo (4) teve uma personagem que não faz discurso, não participa de reunião e não publica vídeo.
A urna.
E ela foi particularmente sincera com a oposição.
O grupo formado pelos vereadores Márcio de Zélia, Leandro de Cici, Dagama e Ivonaldo, pelo ex-candidato a prefeito Santiago e alguns suplentes entrou na disputa proporcional com seus candidatos escolhidos.
Para deputado Estadual, Nill Mendes (PSB).
Resultado: 267 votos.
Do outro lado, o grupo liderado pelo prefeito Wagner Felipe Oliveira (Republicanos) colocou Wilson Filho (Republicanos) na disputa.
Resultado: 1.386 votos.
A diferença foi de 1.119 votos.
Cinco vezes mais, praticamente.
Mas ainda havia a eleição para deputado federal.
E aí a história ficou ainda mais difícil de explicar.
A oposição apostou em Dr. Jhonny Bezerra (PSD).
Levou 430 votos.
O grupo governista apoiou Wilson Santiago (Republicanos).
Levou 1.622.
Diferença: 1.192 votos.
Quase quatro vezes mais.
O problema de anunciar força é ter de apresentar a força
A oposição de Assunção não é formada por desconhecidos da política.
Tem vereadores. Tem ex-candidato a prefeito. Tem suplentes. Tem gente que ocupa espaço político e costuma fazer bastante barulho no município.
Justamente por isso, os números chamam atenção.
Porque eleição proporcional é aquele momento em que a política sai do discurso e vai para a calculadora.
E a calculadora de Assunção não foi nada generosa com a oposição. 267. 430.
Do outro lado: 1.386. 1.622.
Não é preciso fazer malabarismo para entender.
A famosa “força” ficou onde?
Durante a campanha, grupos políticos costumam anunciar apoios como quem anuncia grandes empreendimentos: muita gente, muita liderança e muita certeza de que os votos virão.
Só esqueceram de combinar com o eleitor.E eleitor não recebe ordem de liderança.
Ele escolhe.
Foi exatamente o que aconteceu em Assunção.
Os números não significam que cada voto tenha sido produzido diretamente por uma liderança específica. Seria irresponsável afirmar isso.
Mas revelam algo impossível de esconder: as candidaturas apoiadas pelo grupo do prefeito tiveram uma capacidade de votação muito superior às candidaturas escolhidas pela oposição.
E isso, goste-se ou não, é um dado político.Duas disputas. Duas pancadas.
Na Assembleia: Wilson Filho 1.386 x 267 Nill Mendes.
Na Câmara Federal: Wilson Santiago 1.622 x 430 Jhonny Bezerra.
Somadas as diferenças, são 2.311 votos separando os dois lados nessas duas disputas.
A oposição pode continuar fazendo oposição.Pode criticar.
Pode discordar.vPode subir na tribuna. Pode fazer vídeo.
Pode escrever postagem. Tudo absolutamente legítimo.
Só não pode pedir que a urna finja que não aconteceu.
Porque aconteceu. E foi grande.
A urna não tem grupo de Whatsapp e talvez essa seja a maior ironia.
Na política, é possível construir uma narrativa durante meses.
A urna leva poucos segundos para desmontar uma.
Não adianta reunião cheia, fotografia, anúncio de apoio ou discurso inflamado.
No domingo, o eleitor apertou o botão. E o resultado foi registrado.v267 contra 1.386.430 contra 1.622.
A oposição queria mostrar que tinha força. A urna pediu a prova. A prova veio. E não foi exatamente aquela que o grupo esperava apresentar.
Em Assunção, neste domingo, o discurso fez barulho, mas os votos falaram mais alto. E, como sempre, a urna teve a última palavra.