No Sítio Fortuna, localizado na divisa dos municípios de Juazeirinho e Soledade, no interior da Paraíba, o casal escreveu uma trajetória marcada pelo amor, pela convivência e pelo trabalho na terra.
Eram pessoas simples, que fizeram da vida no campo o cenário de uma história que atravessou gerações e deixou marcas na memória de uma grande família.José Francisco, conhecido popularmente como Zé Chico, nasceu em 15 de julho de 1911 e Izabel Lourenço nasceu em 3 de março do mesmo ano.
Compartilharam, portanto, o mesmo ano de nascimento e uma longa caminhada juntos, construindo uma família e enfrentando os desafios próprios de uma época em que a vida exigia muito trabalho e perseverança.
Os dois cultivavam a terra e, com as mãos acostumadas ao serviço da agricultura, construíram sua história longe dos grandes centros, no ambiente rural que testemunhou boa parte de sua convivência.
Uma família que se espalhou e criou raízes
Da união de Zé Chico e Izabel, nasceu uma família numerosa, que encontrou no trabalho e no comércio uma maneira de seguir adiante.
Entre os filhos e descendentes, há nomes conhecidos na atividade comercial da região.
Joacir e Jurandir, por exemplo, seguirem no ramo de restaurante e panificação, em Soledade.
Mané Careca também construiu sua trajetória no comércio, chegando a manter um grande armazém de venda de estivas na feira de Campina Grande.
Dois outros filhos se tornaram conhecidos por empreendimentos que fazem parte da rotina de Soledade: a Padaria São José e o Restaurante São Lourenço, ambos localizados no centro da cidade.
São estabelecimentos que recebem diariamente moradores, trabalhadores e viajantes.
Para quem percorre a Paraíba, especialmente no trajeto entre o Sertão e o Litoral, Soledade costuma ser uma parada importante para refeições e descanso.
E esses empreendimentos ajudam a manter viva a presença da família na história comercial do município.
É uma herança que vai além dos negócios e representa a continuidade de uma família construída por duas pessoas que começaram a vida trabalhando na terra e deixaram aos seus descendentes caminhos para seguir.
Uma coincidência que o tempo guardou
A história de José Francisco e Izabel também guarda uma coincidência que chama a atenção.
Zé Chico nasceu em julho, mês em que Izabel veio ao mundo?
Não. Ele nasceu em 15 de julho, enquanto ela nasceu em 3 de março.
E foi justamente nos meses de aniversário um do outro que os dois se despediram.
Zé Chico morreu em 22 de março de 2016, no mês em que Izabel comemorava aniversário.
Poucos meses depois, em 31 de julho daquele mesmo ano, foi a vez de Izabel partir, justamente no mês em que Zé Chico nasceu.
Ele tinha 104 anos. Ela, 105.
Os dois viveram mais de um século e deixaram uma história que não terminou com a despedida.
Permaneceu nos filhos, nos netos, nos demais descendentes e nas lembranças de quem conheceu o casal.
O que fica depois da partida
Afinal, nem toda história importante está nos livros, nos monumentos ou nos nomes de ruas.
Algumas permanecem nas famílias, nos costumes, nos negócios que atravessam gerações e nos lugares onde pessoas simples viveram e construíram sua existência.
No Sítio Fortuna, entre Juazeirinho e Soledade, Zé Chico e Izabel, cultivaram a terra e a convivência.
Não deixaram grandes discursos, mas uma família que cresceu, trabalhou e conquistou seu espaço.
E talvez seja justamente essa a beleza de sua história: a de duas pessoas que nasceram no mesmo ano, dividiram uma vida de trabalho e companheirismo e, mesmo depois de mais de um século, continuam presentes na memória daqueles que vieram depois.
Porque algumas pessoas partem, mas aquilo que construíram permanece.
Há amores que não precisam ser contados em grandes palavras.
Basta olhar para as raízes que deixaram.



