Um crime que marcou a zona rural de Juazeirinho, no Cariri da Paraíba, volta a ser levado ao Tribunal do Júri quase 22 anos depois.
Na próxima terça-feira (6), o réu José Carlos Jacinto, conhecido como Zé do Pingo, será submetido a júri popular no Fórum Desembargador Evandro de Souza Neves, na cidade de Juazeirinho.
A vítima foi Calixto Fontes Rangel, conhecido como Cacau, casado e pai de 11 filhos.
Segundo o manifesto divulgado pela família, ele trabalhava com agropecuária e comercialização de animais.
De acordo com o relato dos familiares, Cacau teria sido atraído para uma área de mata sob a justificativa de receber o pagamento referente à venda de animais bovinos.
Em vez de receber o dinheiro, porém, foi morto a pauladas e o corpo enterrado numa cova rasa em um riacho.
O desaparecimento só foi percebido pela família depois de alguns dias.
Como Cacau costumava permanecer em propriedades rurais ou na casa de familiares, inicialmente não houve uma preocupação imediata.
Quando a família percebeu que ele não estava em nenhum dos locais onde costumava ficar, começou uma mobilização para tentar localizá-lo.
A procura se concentrou nas proximidades da região onde o então suspeito residia.
No dia 13 de junho de 2004, Cacau foi encontrado enterrado em uma cova rasa, nas proximidades de um pequeno barreiro, em uma área rural do município.
Segundo a família, o caso resultou na abertura de inquérito policial e na expedição de mandado de prisão contra o acusado.
Ele, entretanto, deixou a Paraíba e permaneceu foragido durante anos.
Depois de aproximadamente 17 anos de espera, os familiares receberam a informação de que Zé do Pingo havia sido localizado e preso em Minas Gerais, após anos longe de Juazeirinho.
Quase duas décadas de espera
A longa espera pelo julgamento fez com que o caso permanecesse vivo na memória dos familiares.
Em 26 de fevereiro de 2022, filhos, netos e amigos de Cacau, realizaram um ato público na Praça Cícero Batista de Azevedo, em Tenório, onde ele residia, para cobrar justiça.
Na ocasião, foi lido um manifesto relembrando a trajetória de Cacau, as circunstâncias do assassinato e o sofrimento da família durante os anos em que o acusado permaneceu sem ser julgado.
Agora, com o julgamento marcado, os familiares voltam a manifestar a expectativa de que o caso tenha uma definição perante o Tribunal do Júri.
A principal reivindicação, expressa no manifesto, é que o julgamento reconheça a gravidade do crime e que a decisão seja tomada pelos jurados com base nas provas apresentadas durante a sessão.
“Calixto Fontes Rangel, Cacau, poderia estar entre nós. Queremos justiça!”, resume a mensagem deixada pelos familiares.
O julgamento está previsto para ocorrer no dia 6 de outubro de 2026, no Fórum Desembargador Evandro de Souza Neves, em Juazeirinho.
O resultado dependerá da análise das provas e os relatos de testemunhas, que serão debatidas pelo representante do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e da defesa soberana do Conselho de Sentença.