Justiça manda bloquear Pixbet e impõe multa de R$ 4,7 milhões; decisão reacende discussão sobre influência de Ernildo Júnior em Serra Branca

A Pixbet, empresa de apostas que se tornou uma das marcas mais conhecidas do futebol brasileiro, sofreu nesta quarta-feira (2) um novo revés judicial.

A Vara da Infância e Juventude de Campina Grande determinou o bloqueio nacional das plataformas da empresa e reconheceu o descumprimento de uma ordem judicial que já havia determinado a suspensão das operações.

Segundo a decisão, a Pixbet permaneceu funcionando por 47 dias após o fim do prazo concedido pela Justiça, acumulando multa de R$ 4,7 milhões, valor que deverá ser depositado judicialmente em até cinco dias, sob pena de penhora de bens e ativos.

O ponto mais grave apontado pelo Judiciário é que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda informou que a empresa apresentava deficiência no envio de dados obrigatórios ao sistema oficial de fiscalização, dificultando justamente o controle da idade dos apostadores.

A decisão também registra 16 processos de fiscalização contra marcas do grupo, envolvendo, entre outros pontos, apostas em eventos de categorias de base, falhas de identificação de clientes e ausência de ferramentas de autoexclusão.

A decisão judicial não cita o prefeito de Serra Branca, Michel Alexandre Pereira Marques (União), nem estabelece qualquer responsabilidade dele pelos fatos atribuídos à Pixbet.

Mas a relação política e empresarial entre o prefeito e Ernildo Júnior, proprietário da empresa, ajuda a dimensionar o alcance que o empresário passou a ter no município.

Conhecido politicamente como “Alexandre Pixbet”, ele foi funcionário de Ernildo Júnior e presidiu o Serra Branca Esporte Clube, projeto esportivo impulsionado pelo empresário.

Em 2024, Ernildo atuou diretamente na campanha que levou Alexandre à Prefeitura de Serra Branca.

A imprensa nacional chegou a registrar que o empresário tratava a candidatura como uma missão sua.

A conexão ultrapassou a política Municipal.

A Pixbet transferiu posteriormente seu domicílio empresarial para Serra Branca, enquanto o grupo ligado a Ernildo passou a ter presença também na articulação política local.

O problema, portanto, não é simplesmente uma aposta ou um patrocínio esportivo.

É a concentração de dinheiro, futebol, influência empresarial e poder político em torno de um mesmo grupo.

A nova decisão da Justiça acrescenta um elemento incômodo a essa história: a empresa que se tornou símbolo de poder econômico e influência política na região está agora sob uma determinação judicial nacional de bloqueio, além de uma cobrança de R$ 4,7 milhões, enquanto ainda será submetida a perícia técnica sobre seus mecanismos de proteção de menores.
Isso não significa que Alexandre seja responsável pelas irregularidades atribuídas à Pixbet.

Mas torna inevitável perguntar até onde vai a influência de Ernildo Júnior sobre a política de Serra Branca e onde termina a relação empresarial e começa a relação de poder.


Leia também: Pixbet, Serra Branca e o império de Ernildo Júnior sob pressão da Justiça

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