A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos dois turnos da eleição presidencial de 2026 em Soledade, no Cariri paraibano, ganhou um componente político importante: o crescimento da votação do presidente entre a primeira e a segunda etapa da disputa.
O resultado ocorre em meio à mobilização do prefeito Miranda Neto (Progressistas), que declarou apoio à reeleição e atuou para engajar seu grupo político na campanha.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula recebeu 6.151 votos, correspondentes a 67,15% dos votos válidos no município.
Flávio Bolsonaro (PL) obteve 2.579 votos, ou 28,16%.
A vantagem do petista foi expressiva, mas o segundo turno demonstrou que ainda havia espaço para ampliar seu desempenho eleitoral.
Na votação deste domingo (25), Lula chegou a 6.993 votos e alcançou 71,52% dos votos válidos em Soledade.
Flávio recebeu 2.785 votos, equivalentes a 28,48%.
O presidente, portanto, ampliou sua votação em 842 votos e avançou 4,37 pontos percentuais na comparação entre os dois turnos.
O adversário também cresceu em números absolutos, somando 206 votos a mais, mas perdeu participação proporcional na disputa local.
Miranda e a força da articulação política
A mobilização liderada pelo prefeito é um dos elementos relevantes para compreender o resultado.
Com sua base política e seu prestígio junto a lideranças locais, o gestor entrou na articulação em favor de Lula para o segundo turno, buscando ampliar o apoio ao presidente no município.
Antes da votação decisiva, Miranda participou de uma reunião política em Campina Grande, convocada pelo governador reeleito, Lucas Ribeiro (Progressistas), voltada à mobilização de prefeitos e lideranças para a campanha de reeleição de Lula.
Na ocasião, o prefeito também destacou o desempenho eleitoral de seu grupo político em Soledade.
O resultado final indica que a votação de Lula cresceu entre os dois turnos.
Embora os números sejam compatíveis com um cenário de mobilização política favorável ao presidente, não é possível atribuir toda a ampliação dos votos exclusivamente à atuação do prefeito.
A transferência de apoios, a adesão de eleitores de outras candidaturas e as escolhas individuais dos votantes também podem ter contribuído para o resultado.
Ainda assim, a participação de Miranda na campanha coloca a liderança municipal em evidência e abre espaço para uma leitura política sobre sua capacidade de articulação e mobilização.
Abstenção diminui no segundo turno
Outro dado importante está na participação do eleitorado.
No primeiro turno, 9.861 eleitores compareceram às urnas em Soledade, enquanto 1.855 deixaram de votar.
A abstenção foi de 15,83%.
No segundo turno, o comparecimento subiu para 10.069 eleitores, e o número de ausentes caiu para 1.643.
A taxa de abstenção recuou para 14,03%.
Isso representa uma redução de 212 abstenções e de 1,80 ponto percentual na taxa de ausência.
Ao mesmo tempo, 208 eleitores a mais compareceram às urnas na segunda votação.
A maior participação pode ter contribuído para a ampliação da votação dos dois candidatos.
Os dados, entretanto, não permitem afirmar em quem votaram os eleitores que compareceram apenas no segundo turno.
Resultado consolida a liderança de Lula no município
A votação de Soledade apresenta dois movimentos claros: Lula manteve a liderança obtida no primeiro turno e ampliou sua vantagem percentual na etapa decisiva, enquanto a abstenção diminuiu.
Nesse contexto, a atuação de Miranda representa uma peça importante do cenário político local, especialmente por sua decisão de integrar a mobilização em favor do presidente e colocar sua base política em campo.
O resultado também deixa um dado para a política Municipal: a capacidade de reunir lideranças, mobilizar eleitores e transformar alianças em participação eleitoral continuará sendo um elemento relevante nas próximas disputas de Soledade.


